Ciência Poética: nas fronteiras do academicismo
“O narrador conta o que ele extrai da experiência – sua própria ou aquela contada por outros. E, de volta, ele a torna experiência daqueles que ouvem a sua história”
Walter Benjamin
O abismo tomista entre a escrita poética e o cientificismo acadêmico já não existe. Pelo menos não na proposta do livro Memória e Sociedade, de Ecléa Bosi.
Há muito, a exigência da escrita cheia de formalismos e clichês acadêmicos tem sido o “muro das lamentações’ dos mestrandos e doutorandos sobretudo em ciências humanas em solo verde e amarelo, onde o conceito de tese ensaística de Walter Benjamin, salvo raras instituições, permanecerá eclipsado ao menos mais dois decênios.
Daí a importância de Memória e Sociedade, substituindo o freudiano divã pelo confortável sofá, levando a mesa cirúrgica ao jardim livre de éter, devolvendo à escrita poética o seu lugar humanizador: produzir melhor textura às conclusões acadêmicas.
Ou, nas palavras de Paulo de Salles Oliveira da USP:
“Acredito, também, que propõe um novo modo de fazer ciência, em que a escrita poética se faz presente e em que o sujeito-pesquisador e o objeto do conhecimento, as pessoas pesquisadas, se alternam mutuamente na difícil tarefa de produção do saber1.”
- Memória e Sociedade: Lembrança de Velhos
- Descrição: Polifonico ensaio sobre a historia social de Sao Paulo.
- Editora: Companhia das Letras
- Autor: ECLEA BOSI
- ISBN: 8571643938
- Origem: Nacional
- Ano: 1999
- Edição: 7
- Número de páginas: 484
Sinópse:
Ensaio polifônico sobre a memória e suas relações com a vida dos imigrantes e operários da cidade de São Paulo, elaborado a partir de depoimentos de pessoas idosas – de “lembranças de velhos”. Uma fonte preciosa de ensinamentos sobre o mundo do trabalho no Brasil.
“A história social de São Paulo saltou léguas com esse mergulho magistral, na melhor tradição de empregar o instrumental da psicologia social na direção da história social. O livro é um manancial de ensinamentos sobre a participação política e o mundo do trabalho no Brasil. O dia-a-dia dos imigrantes, dos operários e dos trabalhadores domésticos desponta sob um realismo penetrante.”
Paulo Sérgio Pinheiro
“É curioso como a fala de pessoas simples que nunca escreveram, nunca tiveram a pretensão de ser autores tenha tal capacidade de comunicar e até de empolgar. Transcritas suas memórias, elas transmitem a mesma sensação de vitalidade aos seus bem-aventurados leitores.”
Franscico Iglésias
“Um admirável estudo sobre a memória, partindo de Lembranças de velhos. Acho que a autora inaugurou a sociologia da emoção: seu livro tem momentos de pura poesia, e todo ele é de uma rara sensibilidade em relação aos seres humanos sobre os quais se debruça.”
Flávio Rangel
“Memória e sociedade, me toca por muitas razões, a principal delas é que o tema envolve para mim uma carga enorme de poesia. Obrigado pela sensação forte que o seu livro admirável vem me proporcionando!”
Carlos Drummond de Andrade
1OLIVEIRA, Paulo de Salles. “Memória e sociedade”: ciência poética e referência de humanismo. Psicol. USP. [online]. mar. 2008, vol.19, no.1 [citado 15 Maio 2009], p.51-58. Disponível na World Wide Web: <http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-51772008000100008&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1678-5177.





