A Arte da Escrita

maio 15, 2009

Ciência Poética

Filed under: Posts — Pr Carlos Antonio Barbosa @ 8:06 am

 

Ciência Poética: nas fronteiras do academicismo

 

                  

“O narrador conta o que ele extrai da experiência – sua própria ou aquela contada por outros. E, de volta, ele a torna experiência daqueles que ouvem a sua história”
Walter Benjamin

 

 

O abismo tomista entre a escrita poética e o cientificismo acadêmico já não existe. Pelo menos não na proposta do livro Memória e Sociedade, de Ecléa Bosi.

Há muito, a exigência da escrita cheia de formalismos e clichês acadêmicos tem sido o “muro das lamentações’ dos mestrandos e doutorandos sobretudo em ciências humanas em solo verde e amarelo, onde o conceito de tese ensaística de Walter Benjamin, salvo raras instituições, permanecerá eclipsado ao menos mais dois decênios.

Daí a importância de Memória e Sociedade, substituindo o  freudiano divã pelo confortável sofá, levando a mesa cirúrgica ao jardim livre de éter, devolvendo à escrita poética o seu lugar humanizador:  produzir melhor textura às conclusões acadêmicas.

Ou, nas palavras de Paulo de Salles Oliveira da USP:

“Acredito, também, que propõe um novo modo de fazer ciência, em que a escrita po­ética se faz presente e em que o sujeito-pesquisador e o objeto do conhecimento, as pessoas pesquisadas, se alternam mutuamente na difícil tarefa de produção do saber1.” 

 

Memoria e Sociedade



  • Memória e Sociedade: Lembrança de Velhos
  • Descrição: Polifonico ensaio sobre a historia social de Sao Paulo.
  • Editora: Companhia das Letras
  • Autor: ECLEA BOSI
  • ISBN: 8571643938
  • Origem: Nacional
  • Ano: 1999
  • Edição: 7
  • Número de páginas: 484

 

 

 

Sinópse:

Ensaio polifônico sobre a memória e suas relações com a vida dos imigrantes e operários da cidade de São Paulo, elaborado a partir de depoimentos de pessoas idosas – de “lembranças de velhos”. Uma fonte preciosa de ensinamentos sobre o mundo do trabalho no Brasil.

“A história social de São Paulo saltou léguas com esse mergulho magistral, na melhor tradição de empregar o instrumental da psicologia social na direção da história social. O livro é um manancial de ensinamentos sobre a participação política e o mundo do trabalho no Brasil. O dia-a-dia dos imigrantes, dos operários e dos trabalhadores domésticos desponta sob um realismo penetrante.”
Paulo Sérgio Pinheiro

“É curioso como a fala de pessoas simples que nunca escreveram, nunca tiveram a pretensão de ser autores tenha tal capacidade de comunicar e até de empolgar. Transcritas suas memórias, elas transmitem a mesma sensação de vitalidade aos seus bem-aventurados leitores.”
Franscico Iglésias

“Um admirável estudo sobre a memória, partindo de Lembranças de velhos. Acho que a autora inaugurou a sociologia da emoção: seu livro tem momentos de pura poesia, e todo ele é de uma rara sensibilidade em relação aos seres humanos sobre os quais se debruça.”
Flávio Rangel

Memória e sociedade, me toca por muitas razões, a principal delas é que o tema envolve para mim uma carga enorme de poesia. Obrigado pela sensação forte que o seu livro admirável vem me proporcionando!”
Carlos Drummond de Andrade 

 

1OLIVEIRA, Paulo de Salles. “Memória e sociedade”: ciência poética e referência de humanismo. Psicol. USP. [online]. mar. 2008, vol.19, no.1 [citado 15 Maio 2009], p.51-58. Disponível na World Wide Web: <http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-51772008000100008&lng=pt&nrm=iso&gt;. ISSN 1678-5177.

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O Poeta

Filed under: Posts — Pr Carlos Antonio Barbosa @ 5:25 am

Máximas:  O Poeta.

 

“Um poeta é um mundo encerrado num homem”

Victor Hugo

 

“Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o amor toma conta dele”

Platão

 

“Deus é o perfeito poeta, que atua nas suas próprias criações”

Robert  Browning 

 

“Nunca ninguém foi um grande poeta sem ter sido ao mesmo tempo um grande filósofo”

Samuel Coleridge

 

“Diante de um grande poeta, tem-se a sensação de que as coisas que permaneceram escondidas no caos emergem”

Christian Hebbel   

 

“Os poetas têm de ser pessoas médias, nem deuses, nem vendedores de livros”

Horácio

 

Mais citações sobre este e outros temas:  http://www.citador.pt

maio 13, 2009

Os Quatro Amores

Filed under: Posts — Pr Carlos Antonio Barbosa @ 5:34 pm

Hoje, vamos falar um pouco sobre o amor. Ouvimos quase que diariamente esta palavra em canções românticas. Eu particularmente me recordo de que, na minha infância, o rádio ficava sintonizado o dia inteiro em uma emissora que tocava só músicas do Roberto Carlos, e nestas músicas a palavra que não faltava era a palavra amor. Era o “amor da amada amante”, o “amor do caminhoneiro”, o “amor debaixo dos caracóis”.

E o que dizer do amor de uma tal de Florentina?

Florentina, Florentina , Florentina de Jesus, não sei se tu me amas; pra que tu me seduz?

As pessoas estão muito confusas em relação a palavra “amor” e, porque não dizer, ao próprio amor. Dizem que amam o emprego, que amam a escola, que amam o carro, que amam o cigarro. Após assistirem a um filme ou peça teatral: “amei aquele filme”, “amei aquela peça”, “amo aquele ator”, “amo aquela atriz”. Há até quem diga ao cachorro que ele é o amor de sua vida.

O problema é que na língua portuguesa temos apenas uma palavra para descrever vários tipos de amor, ou de sentimentos que pensamos ser o amor. Diz-se que em gaulês, se um jovem ama uma moça ele tem 20 maneiras diferentes de lhe dizer isto (Lewis).

Já nos tempos de Jesus havia mais de uma palavra para descrever esta vasta gama de  sentimentos. Façamos, portanto, uma breve incursão na língua grega.

1) Storge  (στοργη). Leia-se “STORGUE”. É o amor dos laços familiares. O amor do lar. De pais para com filhos, dos filhos para com os pais, entre parentes, etc. É o amor afeição que de frágil se quebra. É só haver um problema e está tudo terminado. Filhos que não vêem os pais há vinte anos ou mais, parentes que se tornam inimigos de outros parentes.

2) Éros (έρως).  É o amor expresso na  sexualidade. Deve ser dintinguido de pornéia (impureza sexual). O amor Éros é o amor entre os sexos, ou amor sexual. Lembremos da palavra erótica, filme erótico, erotismo… quer dizer:  é o amor que se baseia na atração sexual. Uma vez que esta atração se vai, este tipo de amor também acaba.

3) Philia (φιλια). É o amor da amizade, da estima, porém ainda, “toma lá, dá cá”. Exige retorno. É o chamado amor Phileo, daí vem a palavra  filosofia, isto é amor ao conhecimento (envolve o lado físico do amor pois o verbo “Philein” pode significar beijar ou acariciar) é o amor de interesses, de trocas. Enquanto alguém lhe serve, você o ama, enquanto você precisa de alguém, você o ama, quando não mais precisar, acabou o amor. É o amor que não resiste à comida queimada, às crises financeiras, à doença, ao amigo pedindo dinheiro emprestado e nem às discussões filosóficas.4)

4) Ágape (αγαπη).  É o amor proveniente de Deus, também considerado o maior dom de Deus delegado aos homens (I Coríntios 13). É o amor altruísta: amar por amar, sem exigir nada em troca. Em Ágape, temos o verdadeiro amor, pois ágape ou agapao é o amor de Deus. É o amor  que ama independentemente de circunstâncias ou situações: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu único filho, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (citação livre de João 3:16).

Para saber mais:

os quatro amores Lewis
Os Quatro amores
Editora: Martins Fontes
Autor: C.S. LEWIS
ISBN: 853362154X
Origem: Nacional
Ano: 2005
Edição: 1
Número de páginas: 204

maio 6, 2009

Chegou o livrinho.

Filed under: Posts — Pr Carlos Antonio Barbosa @ 11:57 pm
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ritmo-e-poesia

Após navegar por dias e esperar pacientemente tantos outros…

– Chegou o livrinho

Realmente um livrinho que quase cabe na palma da mão.

Meus filhos preocupados: “vai ser colocado com os outros?”, “assim tão velho e amarelado?”.                       

Eu? Realizado. Afinal, achei um tesouro, dentre todos os sebos do Brasil.

Esta rara obra de Manuel Cavalcanti Proença, ensina o método dos números distributivos (ND) e números representativos (NR).

Uma forma matemática de medir e avaliar o ritmo do verso – de saber se existe um verso de “pé quebrado”, uma falha rítmica.

Nas palavras de Ivo Korytowski, este livreto ensina “o pulo do gato” aos poetas e poetisas interessados em trabalhar a arte poética de forma séria e consciente.

Curiosos? Aguardem num dos próximos posts,  maiores explicações sobre a metodologia.

 

PROENÇA, Manuel Cavalcanti. Rítmo e Poesia. Rio, Organização Simões, 1955. 120 p.

maio 2, 2009

Personagens X Celular

Filed under: Posts — Pr Carlos Antonio Barbosa @ 6:58 pm
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… escritores e escritoras: neste ensaio de Matt Richtel, uma interessante temática para nosso laboratório.


if-only-literature-could-be-a-cellphone-free-zone

If Only Literature Could Be a Cellphone-Free Zone

By MATT RICHTEL

Published: April 11, 2009 – THE NEW YORK TIMES

 

Que bom se a literatura fosse uma zona livre de celular…

FOLHA DE S.PAULO                                                                                                 São Paulo, segunda-feira, 27 de abril de 2009

ensaio de MATT RICHTELL

Conspirando com um namorado distante? Experimente mandar um torpedo. Perdido na floresta/ na natureza/ no mar Jônico? Use o GPS. Um caso de identidade trocada? Consulte Facebook!

A tecnologia está tornando obsoletos alguns elementos de trama da narrativa clássica: ligações perdidas, comunicações erradas, a incapacidade de ir a um encontro. Esses artifícios não passam no teste de credibilidade quando até os destinos mais remotos têm cobertura wireless. (Aqui é Ulisses; alguém pode ver o caminho para Ítaca? Use a rota “sem sereias”.) 

Qual o significado da perda para o ato de contar histórias se os personagens, da floresta de Sherwood aos Portões do Inferno, podem se conectar instantaneamente, mesmo que não constantemente? 

Muito, e pelo menos parte dele é pessoal. Recentemente terminei meu segundo livro de suspense, ou assim pensava. Quando o enviei para vários amigos bons escritores, recebi esta resposta: o protagonista e sua namorada não podem passar o livro inteiro sem conseguir fazer contato um com o outro. Não na era do celular. 

Então comecei a falar com amigos escritores e descobri um fermento de antagonismo contra os equipamentos de comunicação atuais. “Queremos um mundo onde haja distância entre as pessoas; é daí que vêm as grandes histórias”, disse Kamran Pasha, escritor e produtor de “Kings”, drama do canal de TV americano NBC baseado na história de Davi. Ele diz que mesmo o desenrolar da Bíblia teria sido prejudicado pela conectividade. 

No Antigo Testamento, por exemplo, os irmãos de José atiram-no em um buraco. Ele é recolhido pelos negociantes de escravos e levado para o Egito, um desenvolvimento vital na narrativa do Êxodo que é central para o judaísmo. Imagine se, em vez disso, ele ligasse do poço, pedindo ajuda. “É engraçado pensar que, se José tivesse um iPhone, não haveria o judaísmo”, diz Pasha. 

Hoje devemos “deletar” a tensão que fervilha em centenas de páginas enquanto os personagens se perguntam, por exemplo, o que aconteceu com uma namorada? Certamente Rick Blaine não teria sofrido a dolorosa incerteza de por que Ilsa o deixou esperando na estação ferroviária em Casablanca. (Por que ela não apareceu? Devíamos fugir juntos! Hum, deixe-me checar o e-mail… Está bem, tem sentido. Agora vou ver se a encontro no Google Earth…) E muitos enganos nas comédias de Shakespeare teriam sido desfeitos com uma simples mensagem: “Pode esclarecer se você é homem ou mulher?” 

Os filmes de suspense, é claro, há muito se beneficiam da tecnologia, que oferece novas ferramentas de descoberta. Mas a tecnologia também afetou esse gênero. O autor de best-sellers Douglas Preston lembra de um momento no final dos anos 1990, quando ele estava escrevendo com Lincoln Child. Eles tinham uma personagem feminina que era seguida em um beco escuro em Nova York, sem ninguém para pedir ajuda. “Eu disse: ‘Lincoln, ela tem um celular’. Preston disse: ‘Bem, talvez os leitores não percebam’.” Eles deslocaram a cena para o metrô, onde na época não “havia sinal” .                                                                                      

[…]  “Você perde um trem em 1888 ou mesmo em 1988 e não tem contato com a pessoa que espera na estação do outro lado”, ela disse. “Ele pensa que você mudou de ideia, foi sequestrada, não conseguiu escapar… Se você perde um trem em 2009, pega o celular e manda um torpedo: ‘Vou atrasar duas horas’.”

 


abril 17, 2009

Manual do Poeta

Filed under: Posts — Pr Carlos Antonio Barbosa @ 6:21 am
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Manual do Poeta

Gostaria de indicar o “Manual do Poeta”  a todos que apreciam, fazem ou

pretendem deixar aflorar, de si, um poema ou poesia da alma.

 

 

Manual do Poeta – Tudo que Você Gostaria de Saber sobre a Arte Poética

Ivo Korytowski

Editora Ciência Moderna

120 páginas – 1ª edição – 2008

ISBN: 9788573937244 – Formato: 14 x 21

 

Sinópse.

Diz o ditado popular que de médico e louco todos temos um pouco. Eu acrescentaria: de poeta, médico e louco, todos temos um pouco. Quem nunca na vida cometeu um poema (ou nunca se sentiu imbuído do espírito poético) atire a primeira pedra! Tem gente que acha que fazer poesia é “botar pra fora” (botar pra fora mesmo, como que num “parto”) uma seqüência de frases bonitas dividindo o texto (mais ou menos arbitrariamente) em versos, pra ficar diferente de prosa. Mas poesia não é bem isso. A poesia tem suas regras, seus macetes, suas técnicas, seus recursos. E como toda arte, envolve transpiração, além de inspiração. É o que veremos neste livro, caro leitor. Assim como o advogado precisa conhecer o código penal e o médico precisa saber anatomia, o poeta precisa conhecer os recursos da escrita poética. No Manual do Poeta, o autor aborda, em linguagem acessível e de leitura agradável, tudo que você gostaria de saber sobre a arte poética – poesia, poema, verso, estrofe, métrica, rima, ritmo ou cadência, sonoridade, recursos de construção, recursos imagísticos, prosa poética versus poesia prosaica, soneto, baicai, poetrix, trova, balada, alegia, ode, repente, cordel – ilustrado por versos de poetas brasileiros, dos clássicos aos contemporâneos.

 

 

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